Pomar Digital

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A areia para os olhos do videoárbitro

A FIFA decidiu introduzir o videoárbitro e durante a época de 2016/2017 vamos ter os primeiros testes do sistema. Mas o que podia ser algo bastante positivo para o futebol – como o tem sido em várias outras modalidades – parece não ser mais que areia para os olhos.

Portugal faz parte dos países onde o videoárbitro será testado, a começar já na super taça. Durante o primeiro ano os testes serão em “off”, não havendo comunicação directa entre o árbitro principal e o videoárbitro. Parece que um outro árbitro, na bancada, irá simular os pedidos de assistência vídeo. Até aqui tudo bem. Estes primeiros testes servem para melhorar o sistema antes de ser utilizado a sério.

O problema está nas limitações que a FIFA colocou ao uso desta tecnologia. Quem pensava que o videoárbitro ia tornar o jogo mais justo, enganou-se. Se não, vejamos: As situações de actuação são 4: grandes penalidades, validação de golos (linha de baliza), expulsões e identificação de jogadores (cartões). De fora ficam as situações que mais prejudicam a verdade no futebol: foras-de-jogo e faltas mal assinaladas.

Dos 4 vectores de actuação do videoárbitro, apenas as grandes penalidades têm influência nos jogos com relativa frequência. O que vemos praticamente todas as semanas são golos que resultam de situações de fora-de-jogo (ou anulados por foras-de-jogo mal assinalados) e outros que acontecem após livres e cantos mal marcados. Todas essas situações vão continuar a acontecer. E ainda temos o detalhe do videoárbitro ser apenas passivo, ou seja, só entra em acção a pedido do árbitro principal. Até uma grande penalidade mal assinalada pode não ser corrigida porque o árbitro tem a certeza que viu a falta.

O futebol não pode passar a ser arbitrado da bancada, mas não há justificação para  que um golo marcado em fora-de-jogo não seja anulado, activamente, pelo videoárbitro, poucos segundos depois de ter sido marcado.

Este ano não vamos ver nada. E nos próximos anos não me admirava de continuarmos a ver a verdade desportiva a ser posta em causa a cada fim-de-semana.

Descubra as diferenças

De um artigo no WallStreet Journal sobre as tácticas negociais da Apple com os estúdios de televisão:

Mr. Cue is also known for a hard-nosed negotiating style. One cable-industry executive sums up Mr. Cue’s strategy as saying: “We’re Apple.”

In 2013, Mr. Cue met with Mr. Britt, Time Warner Inc. CEO Jeff Bewkes and other executives in Mr. Britt’s office overlooking Manhattan’s Central Park. Time Warner owns HBO, TNT, CNN and other channels. Apple’s Mr. Cue arrived 10 minutes late and was wearing jeans, tennis shoes with no socks, and a Hawaiian shirt, says a person familiar with the meeting. The other executives were wearing suits.

E do livro Creativity, Inc. (recomendo a leitura):

The morning of the big negotiating session, all of us but the CFO were on time — Steve and his attorney; me, Alvy, and our attorney; Lucasfilm’s attorneys; and an investment banker. At precisely 10 A.M., Steve looked around and, finding the CFO missing, started the meeting without him! In one swift move, Steve had not only foiled the CFO’s attempt to place himself atop the pecking order, but he had grabbed control of the meeting. This would be the kind of strategic, aggressive play that would define Steve’s stewardship of Pixar for years to come.

São ambientes diferentes e necessidades diferentes – e sabemos que o Steve Jobs podia ser um grande sacana quando queria. Mas porquê ir para uma reunião com uma atitude de bully? A falta de respeito dos executivos da Apple tem sido cada vez mais evidente. Já tinha falado sobre as bocas e piadas durante a WWDC de 2015. Agora temos esta história. E juntemos a isto o que se passa com a linha de Macs, reveladora da falta de respeito também pelo cliente.

macs

Não basta uma linha de computadores quase toda desactualizada (437 dias no MacBook Pro, 508 dias no MacBook Air e 953! dias no Mac Pro), como os preços destes produtos mantém-se iguais desde o dia do lançamento. Quando o Mac Pro foi apresentado Phil Schiller disse “can’t innovate anymore, my ass”. Passaram mais de 2 anos e meio desde que essa inovação chegou ao mercado. Hoje, se alguém quiser um Mac Pro vai comprar a mesma máquina de 2013 e pelo mesmo preço. Nem as gráficas – a grande aposta de processamento do Mac Pro – foram actualizadas ou podem sequer ser trocadas pelo utilizador.

Claro que um cliente individual pode esperar… se não tiver problemas de hardware num equipamento fora de garantia. Se a motherboard morrer, azar. Compra um computador antigo pelo preço de um novo. Mas não há escolha. Para quem usa Macs, a concorrência consegue ser pior que um Mac desactualizado. Mesmo os MacBook  já bastante desactualizados continuam a ser bons computadores. Os processadores não evoluíram assim tanto, o que ajuda. Mas tal não justifica que se continuem a vender os antigos ao preço dos novos. Há sempre áreas para melhorar, como o USB, o bluetooth, etc. A velha história do melhorar os produtos em pequenos incremento. Tenho saudades dessa Apple.

Vamos ver o que setembro nos traz, para além de um iPhone 6 sem porta mini-jack.

A melhor “armband” para a corrida

Quando comecei a correr levava uns calções, tshirt e ténis. Depois surgiu o Nike+ e comecei a levar um iPod. Mais tarde apareceu o iPhone e, claro, o Nike+ estava lá. Mas levar um telefone para a corrida nunca me entusiasmou. Se dá jeito estar ligado ao mundo enquanto vou e venho da corrida, já durante a corrida aquilo só chateia. E nem tenho um modelo ao estilo cabina telefónica.

Cheguei a experimentar uma armband, mas não gostei. Ou ficam demasiado apertadas quando se dobra o braço, ou demasiado soltas quando se alonga o braço. Levar o telefone no bolso dos calções também não é opção, pois as cento e poucas gramas são suficientes para o telefone se fazer notar enquanto é atirado para todo o lado pelas leis de Newton.

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Manny the selfie cat

A “internete” é uma coisa maravilhosa. Já tinha visto uma imagem de um gato (supostamente) a tirar uma selfie com uns rottweiler atrás. Hoje descobri que há todo um mundo em redor de Manny, o gato das selfies.

Há uma conta do Instagram com mais de 200 mil seguidores, mas uma simples pesquisa no Google serve para ver o alcance de Manny e o seu gang.

Acho que estou perto de chegar ao final da internet.

40 anos de Apple

Apple turns 40. A celebration of four decades of ideas, innovation, and culture.

Fui comprar meias…

Fui comprar meias. Entro na loja e procuro pelo expositor. Lá estavam elas, penduradas, umas por cima das outras. Como as enzimas. Reparo num aviso de promoção: 50% no 2º artigo. Desconfio se o desconto é apenas no 2º artigo ou por múltiplos de dois. Decido esperar para ver. Escolho as meias e pego em sete pares. Nada a ver com superstições ou jogos de azar.  Dirijo-me à caixa, que não tinha ninguém. Vai ser rápido, penso. Penso mal. Bip… bip… *pausa a olhar para o ecrã*… bip… *nova pausa*… “Temos o desconto dos 50% no 2º artigo, mas temos outra promoção, que não está assinalada, de 20% em três artigos. É capaz de lhe ficar mais barato mas o sistema dá-lhe o desconto que for melhor.” OK, respondo. “Mas como tem sete artigos, fica um de fora.” Como o sistema achar melhor. “Tem cartão  de membro?” Sim, tenho. “É que há outra promoção apenas para membros, que termina hoje, e lhe dá 30% em todos os artigos. Se calhar essa é mais vantajosa.” É provável, sim. “Mas o sistema faz o desconto assim que colocar os dados de membro.” OK, respondo novamente. Depois do sistema saber que sou membro e fazer as contas todas, lá me dizem quanto vou pagar. “Fica em 34,23€, já com o desconto de membro de 30%.” OK. Dou 40 euros e procuro por 23 cêntimos. “Tem 23 cêntimos?” Sim, tenho. Entrego as moedas. “Opá… por acaso não tem 5 euros?” Isso já não tenho. Enquanto outra pessoa vai ao senhor Ribeiro trocar 10 euros, é-me apresentado um talão de 45 centímetros, com 7 ‘PE+GAS FANTASIA’ e o respectivo desconto. “Está aqui o desconto em todos os artigos e o valor total de desconto. Dá o total de 34,23€. Esta promoção termina hoje mas a promoção dos 50% no 2º artigo mantém-se até dia 28.” Obrigado. “Estão aqui os 5 euros. E com 1 euro faz os 40. Está tudo.” Obrigado e boa tarde.

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