Vou começar por dizer que, na globalidade, tenho sido contra as greves que se têm feito nos últimos anos. Vejo-as como o proteccionismo de “direitos adquiridos” e regalias que nos têm posto, a todos, no buraco onde estamos hoje. Mas hoje, apesar de não concordar com algumas posições, concordo com a greve.

Concordo porque este Governo, que muitos acreditavam (e disseram) ser o nosso salvador, veio para cavar ainda mais o buraco. E o pior é que o fazem sem qualquer pingo de vergonha. Vieram para destruir ainda mais a economia, desvalorizar empresas apetecíveis (alguém disse EDP?), criar condições para que os amigos e grupos económicos mais fortes possam “investir” a preços de saldo (ouvi BPN?). E quem paga tudo isto somos nós. Não as árvores, mas nós pessoínhas que andamos para aqui a trabalhar, a criar a tal riqueza de que eles falam para no final esta ir parar aos bolsos dos mesmos.

É preciso cortar nas despesas com pessoal do sector do Estado? É preciso reduzir pessoal no Estado? Sim, é! É preciso que as regras do privado sejam as mesmas para os trabalhadores do Estado? Claro que é! Mas também é preciso mexer noutros lados. E nem falo nas gorduras ou nos gastos intermédios, que este Governo dizia ser a solução para todos os males (ainda acreditam nesta cambada?).

Como dizia ontem Carlos Melo Ribeiro, Presidente da Siemens, é preciso reduzir em cinco vezes o número de políticos, aumentando em cinco vezes o seu vencimento. É preciso acabar com a mama do Estado em que familiares e amigos, sem quaisquer qualificações, assumem cargos de relevo.

É preciso mexer na Justiça de uma vez por todas. É preciso acabar com o proteccionismo dos recursos, em que criminosos ficam na rua só porque têm dinheiro (muitas vezes roubado) para arrastar processos em Tribunal. É preciso agilizar a resolução de processos e impedir todos estes truques para deixar os processos caducar. E é preciso proteger, de uma vez por todas, quem investe e quem trabalha, acabando com a concorrência desleal que vemos todos os dias. Um restaurante que não paga a fornecedores não pode continuar aberto, roubando clientes aos que cumprem com as suas obrigações. Quem recebe dinheiro por um trabalho tem de ser taxado para não dar cabo do mercado a quem cumpre a Lei.

Limpe-se de uma vez por todas a Justiça e a Economia e aí poderemos reduzir impostos e sentir que estamos, verdadeiramente, a contribuir para o bem comum.

Até lá, e enquanto este Governo continuar a proteger o rabo dos seus, concordo com a greve.